Desde 8 de outubro de 2026, vários websites registaram uma queda acentuada no tráfego atribuído ao ChatGPT. Mas isso não significa necessariamente que tenham perdido visitantes.
O problema estava na identificação da origem das visitas: muitos links do ChatGPT deixaram de incluir o parâmetro que permite às ferramentas de analytics reconhecer de onde vem o tráfego.
Segundo a Adobe, a OpenAI confirmou a 14 de outubro que se tratava de um bug. A correção começou a ser disponibilizada no dia 15, de forma faseada.
No entanto, nos nossos testes de 16 de outubro, o parâmetro já tinha regressado aos links abertos no browser, mas continuava ausente na aplicação para Mac.
O que mostram os dados, o que foi confirmado e o que ainda falta esclarecer?
O que mudou nos links do ChatGPT?
Desde 2025, os links apresentados pelo ChatGPT incluíam frequentemente o parâmetro: utm_source=chatgpt.com
Este parâmetro ajuda ferramentas como o Google Analytics 4 (GA4) a identificar as visitas provenientes do ChatGPT.
Com o lançamento do GPT-6 e da Intelligent UI, a 7 de outubro para os planos pagos e a 8 para os gratuitos, muitos links deixaram de o incluir.
Cedric Huesler, da Adobe, identificou também uma alteração na forma como os links eram abertos, com uma instrução que impede o navegador de transmitir ao website de destino a informação sobre a origem da visita (referrer).
Sem o parâmetro UTM e sem o referrer, o Google Analytics pode classificar a visita como tráfego direto (Direct).
Na prática, alguém pode descobrir uma marca através do ChatGPT, clicar num link e visitar o website sem que essa origem fique corretamente identificada.
O que mostram os dados?
Adobe: menos visitas atribuídas ao ChatGPT, mais tráfego direto
Cedric Huesler analisou cerca de 500 páginas em que o ChatGPT representava pelo menos 5% das visitas.
Ao comparar o período de 9 a 13 de outubro com a semana anterior, identificou:
- Menos 31 mil visitas diárias atribuídas ao ChatGPT.
- Mais 26 mil visitas diárias classificadas como tráfego direto nas mesmas páginas.
- Um aumento do tráfego direto em duas de cada três páginas que perderam visitas atribuídas ao ChatGPT.
Os resultados são consistentes com a possibilidade de muitas visitas terem passado a ser classificadas noutro canal.
Contudo, não provam que todas as visitas perdidas na atribuição ao ChatGPT passaram para Direct.
Importa também considerar as limitações da análise: os dados abrangem quatro dias e uma amostra de páginas em que o ChatGPT já tinha um peso significativo no tráfego.
Profound: a redução dos parâmetros coincide com a nova interface
A Profound analisou as respostas do ChatGPT recolhidas na sua plataforma e identificou uma diminuição progressiva da presença dos parâmetros UTM.
Respostas com citações que incluíam pelo menos um link com UTM
- 8 de outubro: 98%
- 9 de outubro: 75%
- 14 de outubro: 66%
No mesmo período, a utilização da Intelligent UI nas respostas analisadas passou de 2% para cerca de 35%.
A Profound identificou uma relação temporal entre estas alterações, embora isso não seja suficiente para demonstrar a causa técnica do problema.
A análise revelou ainda uma diferença entre os tipos de links: alguns links apresentados diretamente nas respostas não incluíam o parâmetro, enquanto links abertos através de um painel adicional continuavam a apresentá-lo.
Estes dados ajudam a perceber porque é que o problema não afetou necessariamente todos os links da mesma forma.
O bug foi confirmado? E a correção?
Segundo Cedric Huesler, a OpenAI confirmou-lhe a 14 de outubro que a ausência dos parâmetros de atribuição era um bug conhecido.
A correção começou a ser disponibilizada por volta das 2h da manhã de 15 de outubro, no horário do Pacífico, de forma faseada.
Às 9h desse dia, os dados da Adobe indicavam que os cliques com identificação de origem tinham recuperado para aproximadamente 95% a 100% dos valores registados no mesmo horário da semana anterior, considerando milhares de domínios.
É um sinal importante de recuperação, mas não significa que o problema estivesse resolvido em todas as plataformas.
Até 16 de outubro, a OpenAI não tinha publicado um comunicado oficial sobre o bug. As notas de lançamento publicadas entre 1 e 15 de outubro também não o mencionavam.
Assim, a confirmação conhecida foi transmitida à Adobe, não através de um anúncio público da OpenAI.
O que verificámos nos nossos testes?
A 16 de outubro, depois do início da disponibilização da correção, realizámos testes ao ChatGPT numa conta gratuita e numa conta paga.
Os resultados foram diferentes consoante a plataforma utilizada:
- Browser: Os links incluíam utm_source=chatgpt.com
- App para desktop: Os links não incluíam o parâmetro
Estes testes foram realizados num único dia e com duas contas. Não incluíram a aplicação para Windows nem as aplicações móveis.
Por isso, não permitem concluir que a correção falhou em todas as aplicações de desktop. Mostram apenas que, nas condições testadas, a app para desktop continuava a apresentar links sem o parâmetro de origem.
Esta diferença é particularmente relevante porque os links abertos a partir de aplicações de desktop podem chegar ao navegador sem informação de referência.
Nesses casos, o parâmetro UTM pode ser o único elemento disponível para identificar a origem da visita. Sem ele, a visita pode ser classificada como Direct.
O que ainda falta esclarecer?
Apesar dos sinais de recuperação, continuam a existir algumas questões em aberto.
Quando estará a correção disponível em todas as plataformas?
Os nossos testes mostraram que a app para desktop ainda não apresentava o parâmetro a 16 de outubro. Os dados publicados pela Adobe não distinguem a recuperação no browser e nas aplicações.
A informação de referência também será reposta?
O referrer continuava ausente na maioria dos cliques analisados. Enquanto isso acontecer, os parâmetros UTM continuam a ser particularmente importantes para identificar a origem das visitas.
Quantas visitas foram efetivamente classificadas como Direct?
Os resultados da Adobe sugerem uma alteração na atribuição, mas não permitem determinar com exatidão quantas visitas mudaram de categoria.
O que deves fazer nos teus relatórios?
Se identificaste uma queda acentuada no tráfego atribuído ao ChatGPT desde 8 de outubro, há algumas verificações que podes fazer antes de tirar conclusões.
- Assinala o início da alteração no GA4: Regista o dia 8 de outubro de 2026, tendo em conta o fuso horário da tua propriedade. Cedric Huesler recomenda assinalar o período entre 8 e 15 de outubro. No entanto, considerando os resultados dos nossos testes na app para desktop, sugerimos manter a data de fim em aberto até confirmares a recuperação no teu website.
- Analisa o tráfego do ChatGPT e o tráfego direto em conjunto: Compara a evolução dos dois canais nas páginas que anteriormente recebiam visitas do ChatGPT. Uma queda nas visitas atribuídas ao ChatGPT acompanhada por um aumento do tráfego direto pode indicar uma alteração na atribuição, embora não seja prova de que as visitas tenham mudado de categoria.
- Verifica se a identificação das visitas recuperou: Compara as sessões provenientes de chatgpt.com, a partir de 16 de outubro, com os mesmos dias da semana no final de setembro. Esta comparação pode ajudar-te a perceber se os valores estão a regressar aos níveis anteriores.
- Testa os links no browser e na aplicação: Abre o mesmo link do ChatGPT nas duas plataformas e verifica se inclui o parâmetro utm_source=chatgpt.com. Assim, podes identificar possíveis diferenças na forma como os links são apresentados.
- Evita alterações precipitadas à estratégia: Uma queda no tráfego atribuído ao ChatGPT não significa necessariamente que a tua marca perdeu visibilidade. Antes de alterares a estratégia ou o modelo de atribuição, confirma se estás perante uma mudança real no comportamento dos visitantes ou um problema de medição.
Importante: quando a informação de origem não é transmitida, não é possível recuperá-la retroativamente apenas através da correção do bug. Mudar de ferramenta de analytics também não resolve essa ausência de dados.
O que este caso nos ensina sobre a visibilidade nos motores de IA?
Este episódio evidencia uma distinção importante: visitas atribuídas e presença nas respostas de IA são métricas diferentes.
As visitas atribuídas dependem da informação transmitida quando alguém clica num link. A presença nas respostas depende de a tua marca ser mencionada ou citada pelos motores de IA. Uma alteração na medição do tráfego não significa, por si só, que a tua marca deixou de aparecer nas respostas.
Por isso, para compreender a presença de uma marca nos motores de IA, importa acompanhar outros indicadores:
- Menções: com que frequência a tua marca aparece nas respostas monitorizadas.
- Citações: que páginas do teu website são utilizadas como fontes.
- Share of Voice: qual é a presença relativa da tua marca face aos concorrentes monitorizados.
- Evolução da visibilidade: como muda a presença da tua marca entre análises.
A Semantika acompanha estes indicadores para ajudar as marcas a compreender como aparecem nos motores de IA e como evoluem face aos concorrentes. Permite acompanhar a presença da tua marca nas respostas, independentemente dos parâmetros UTM.