Antes de um motor de IA poder recomendar a tua marca, tem de conseguir ler o teu site. Parece óbvio e é onde falha uma parte grande das marcas que nos pedem ajuda, muitas vezes por causa de uma configuração que alguém fez com boas intenções há dois anos.
Esta é a auditoria que fazemos primeiro, e dá para fazer numa tarde sem ser programador.
Passo 1: lê o teu ficheiro robots.txt
Escreve o teu domínio seguido de barra robots.txt no browser. Vais ver um ficheiro de texto.
Procura linhas que bloqueiem agentes de IA. Os nomes a procurar incluem GPTBot, ChatGPT-User, OAI-SearchBot, ClaudeBot, Claude-SearchBot, PerplexityBot, Google-Extended e CCBot.
A distinção que interessa: alguns destes agentes servem para treinar modelos, outros para ir buscar informação no momento em que alguém faz uma pergunta. Bloquear os de treino é uma decisão legítima de negócio. Bloquear os de pesquisa e resposta significa que não podes ser citado. Muita gente bloqueou os dois de uma vez sem saber que eram coisas diferentes.
Passo 2: vê o que a tua CDN está a fazer por ti
Se usas uma CDN ou firewall aplicacional, pode haver regras a bloquear bots que não estão no robots.txt e que ninguém escreveu à mão.
Isto ganhou importância em setembro de 2026, quando a Cloudflare alterou os valores por omissão para domínios novos e para o plano gratuito, separando o acesso em três classes de propósito. Vai ao painel e lê a configuração de bots de IA, classe a classe.
Cuidado com o efeito colateral: muitos crawlers são de uso misto. O mesmo agente que recolhe para treino recolhe para indexar a pesquisa. Ativar o bloqueio de treino pode levar o Googlebot atrás.
Passo 3: confirma que o conteúdo existe sem JavaScript
Muitos bots leem o HTML e não executam JavaScript. Se o teu conteúdo só aparece depois de a aplicação arrancar no browser, o bot vê uma página vazia.
Como testar sem ferramentas: desliga o JavaScript nas definições do browser e abre a tua página principal e duas páginas de produto ou serviço. Se vires uma página em branco ou um esqueleto sem texto, tens um problema grande.
Passo 4: verifica se o teu conteúdo está atrás de alguma coisa
Muros de subscrição, formulários obrigatórios, avisos de cookies que tapam o conteúdo, verificações de robô demasiado agressivas. Tudo isto pode impedir a leitura.
Como testar: abre o teu site numa janela privada, sem sessão iniciada. O que vês é aproximadamente o que o bot vê.
Passo 5: testa a velocidade de resposta do servidor
Bots têm limites de tempo. Uma página que demora demasiado a responder pode simplesmente não ser recolhida.
Não precisas de uma nota perfeita. Precisas de garantir que o HTML inicial chega depressa, mesmo que as imagens demorem.
Passo 6: confirma que tens dados estruturados e que estão corretos
Marcação de organização, produto, artigo e perguntas frequentes ajuda um sistema automático a perceber o que és sem ter de adivinhar pelo texto.
Não é magia e não te faz aparecer sozinho. É a fundação: quando a IA vai verificar quem tu és depois de te encontrar noutro sítio, isto é o que torna a verificação inequívoca.
Passo 7: vê se a tua informação básica é coerente em todo o lado
Nome da empresa, o que fazes, onde operas, informação de contacto. Se o teu site diz uma coisa, o teu perfil de empresa no Google diz outra e o LinkedIn diz uma terceira, estás a dar a um sistema automático três versões de ti.
Coerência aqui vale mais do que qualquer truque técnico.
Passo 8: procura páginas mortas que já foram citadas
Se tinhas conteúdo que era citado e o apagaste ou mudaste de endereço sem redirecionar, essas citações morreram.
Não é um caso isolado. Uma análise de mais de 20 milhões de URLs citados por motores de IA concluiu que perto de um quinto das fontes citadas já não existe.
Regra simples: nunca apagues, redireciona sempre.
Passo 9: vê os teus registos de servidor
É o passo que quase ninguém faz e é o único que te dá factos em vez de suposições.
Procura nos registos de acesso os nomes dos agentes do passo 1. Vais conseguir responder a duas perguntas que nenhuma ferramenta responde por ti: que bots de IA visitam mesmo o teu site, e com que frequência. Se um agente que devia estar a passar nunca aparece nos registos, tens ali o problema, identificado com precisão.
Quando terminares
Esta auditoria diz-te se o teu site pode ser lido. Não te diz se estás a ser citado, que é outra coisa e mede-se de outra maneira.
A ordem certa é esta: primeiro garantes que consegues ser lido, depois trabalhas para ser mencionado. Fazer a segunda parte sem a primeira é gastar dinheiro a construir uma reputação que o sistema não consegue verificar.