Há um padrão que encontramos repetidamente e que quase ninguém mede: a mesma marca, a mesma pergunta, dois resultados completamente diferentes conforme a língua.
Não é surpreendente quando se percebe porquê. É surpreendente pelo tamanho da diferença.
O que fizemos
Durante duas semanas, todos os dias, fizemos as mesmas sete perguntas sobre ferramentas de monitorização de marca em IA. Quatro em português de Portugal, três em inglês. Sempre as mesmas, sempre à mesma hora, registando que marcas apareciam e por que ordem.
Escolhemos a nossa própria categoria de propósito, porque é a única onde podemos publicar os resultados sem expor dados de clientes.
O que encontrámos
Primeiro achado: as perguntas em português e em inglês devolvem conjuntos de marcas quase sem sobreposição.
Nas perguntas em português, o espaço está ocupado sobretudo por conteúdo de blog em português do Brasil. Uma única empresa aparecia em três ou quatro dos resultados de cada pergunta, através de artigos diferentes do mesmo domínio.
Nas perguntas em inglês, aparecem as plataformas americanas e europeias conhecidas, e os resultados são páginas de comparação alojadas em domínios de concorrentes.
Praticamente nenhuma marca aparece nos dois conjuntos.
Segundo achado: o qualificador geográfico é ignorado.
Fizemos de propósito uma pergunta em inglês que pedia explicitamente a melhor ferramenta para o mercado português. Os resultados devolvidos foram exatamente os mesmos que uma pergunta genérica devolveria. Nenhuma das opções apresentadas tinha qualquer especificidade para Portugal.
Terceiro achado, e é o mais importante para quem vende em Portugal: o espaço em português não está ocupado por quem é melhor, está ocupado por quem escreveu mais.
As marcas que dominam as respostas em português não são necessariamente as plataformas mais capazes. São as que produziram volume de conteúdo em português antes das outras. Em várias perguntas, a mesma empresa ocupava metade das posições através de artigos diferentes.
Porque é que isto acontece
Um modelo de linguagem responde a partir do que existe escrito. Se sobre a tua categoria existem 300 artigos em inglês e 12 em português, o espaço em português é decidido por esses 12.
Isto tem duas consequências opostas conforme de que lado estás:
Se és uma marca internacional, o teu conteúdo em inglês não te está a ajudar em Portugal tanto quanto pensas.
Se és uma marca portuguesa, o espaço em português da tua categoria é provavelmente pequeno, mal ocupado e barato de conquistar em comparação com o espaço em inglês. É a melhor notícia deste artigo.
O que isto quer dizer para ti, em concreto
1. Se só mediste em inglês, não sabes nada sobre o teu mercado. Uma ferramenta que mede em inglês e traduz a interface para português não está a medir Portugal. Está a medir o espaço anglófono e a mostrar-to em português.
2. Conta o conteúdo que existe na tua categoria em português. Literalmente, conta. Pesquisa três ou quatro perguntas comerciais do teu setor em português e vê quantas fontes distintas existem. Se forem menos de 20, o espaço está por ocupar.
3. Português de Portugal e português do Brasil não são o mesmo mercado. Os resultados que vimos em português vinham em grande parte de fontes brasileiras. Se vendes em Portugal e o conteúdo que a IA usa para responder sobre a tua categoria é brasileiro, as recomendações que ela dá ao teu potencial cliente não são sobre o teu mercado.
4. Uma fonte bem posicionada vale mais do que dez medianas. Vimos uma empresa a ocupar metade de um conjunto de resultados com artigos do mesmo domínio. Isso não se consegue com um artigo, consegue-se com consistência e tempo.
E nós, onde é que aparecemos?
É justo perguntar, já que fomos nós a fazer a medição.
Aparecemos numa das sete perguntas. Em último lugar.
Nas outras seis não aparecemos de todo, incluindo numa cuja formulação é quase literalmente o nosso próprio slogan.
Publicamos isto porque a alternativa seria escrever um artigo sobre visibilidade em IA a esconder a nossa. Se a plataforma serve para mostrar às marcas onde estão mesmo, começar por nós é o mínimo. O trabalho de corrigir isto está a decorrer e vamos publicar a medição outra vez daqui a três meses, com o número que houver.