Se leste alguma coisa sobre visibilidade em IA no último ano, o conselho foi sempre o mesmo: escreve conteúdo no teu site, estrutura os dados, cria páginas de comparação, e a IA vai citar-te.
Há agora dados que dizem que essa é a parte pequena do trabalho.
Os números
Um profissional documentou duas experiências de visibilidade em IA e publicou os resultados a 14 de setembro de 2026. A segunda é a mais útil, porque partiu do zero e durou 30 dias.
Resultado ao fim de 30 dias: 298 aparições, a partir de uma base de zero.
A distribuição por origem é que é o achado:
- 85,8% das menções vieram de listicles e conteúdo em sites de terceiros.
- 14,0% vieram de conteúdo publicado no site próprio.
- 0,2% vieram de PR.
E a distribuição por motor mostra outra coisa que contraria o hábito:
- Gemini: 104 aparições
- Google AI Mode: 95
- Claude: 59
- ChatGPT: 32
- Grok: 4
- Perplexity: 4
Três fontes sozinhas geraram 78% das menções. E a primeira citação demorou até 18 dias a aparecer, com o intervalo a ir de 1 a 18 dias conforme a colocação.
O autor resume assim a conclusão: as fontes que te mencionam podem importar mais do que o conteúdo que controlas.
Porque é que isto contraria o que andas a fazer
Repara na assimetria. Quase todo o orçamento de GEO que vejo gasto em Portugal vai para o site próprio: reescrever páginas, acrescentar FAQ, meter dados estruturados, criar uma página de comparação.
Os 85,8% estão em sítios que não controlas: artigos de terceiros que listam as melhores opções da tua categoria, diretórios, comparações feitas por outros, comunidades onde as pessoas perguntam e respondem.
Não quer dizer que o trabalho no site próprio seja inútil. O próprio autor se corrige entre as duas experiências e conclui que a página própria é fundação e não motor. Sem ela, quando a IA vai verificar quem tu és, não encontra nada coerente. Com ela e só com ela, ninguém te menciona.
A fundação é tua. O motor é dos outros.
E o ChatGPT em quarto lugar?
Repara na ordem dos motores, porque contraria o instinto de toda a gente. Nesta experiência o Gemini e o Google AI Mode juntos valeram 199 das 298 aparições, e o ChatGPT ficou-se por 32.
Não leias isto como uma regra universal, porque é uma experiência num setor. Lê como aviso: se só medes o ChatGPT, provavelmente estás a medir o sítio onde menos aparecerias. A distribuição por motor varia muito por categoria, e a única maneira de saber a tua é medir todos.
O que fazer, por ordem de retorno
1. Descobre que páginas de terceiros a IA já usa para responder à tua categoria. Faz as perguntas comerciais do teu setor a três motores e aponta as fontes que eles citam. Vais ter uma lista de 10 a 20 URLs. Essa lista é o teu mapa e vale mais do que qualquer auditoria ao teu próprio site.
2. Verifica se estás nessas páginas. Na maioria dos casos não estás. É aí que está a diferença entre a tua visibilidade e a do concorrente que aparece sempre.
3. Ataca as três ou quatro que concentram o volume. Se três fontes valem 78%, não precisas de estar em 20 sítios. Precisas de estar nos certos.
4. Contacta quem as escreve. Muitas destas listas estão desatualizadas há meses e quem as mantém costuma estar disponível para acrescentar uma opção relevante. Não é link building, é pedir para ser considerado numa comparação, com argumentos.
5. Mantém a fundação em ordem. Página própria clara sobre o que fazes, para quem, em que mercado. É o que a IA verifica depois de te encontrar noutro sítio.
6. Conta com 18 dias. A primeira citação não aparece na semana a seguir. Se prometeste resultados ao cliente em 15 dias, prometeste mal.
A parte incómoda, para agências
Isto muda o que se vende.
Se vendes GEO como uma auditoria ao site do cliente mais um conjunto de recomendações técnicas, estás a vender os 14%. É trabalho real e necessário, mas não é o que move o número.
O trabalho que move o número parece-se mais com relações públicas e com gestão de presença em sítios de terceiros do que com SEO técnico. É mais lento, é mais difícil de sistematizar, e é muito mais difícil de faturar à hora.
É também, precisamente por isso, o sítio onde há vantagem competitiva para quem o fizer a sério.