5/10/2026·4 min

85,8% das menções da tua marca na IA vêm de sites que não são teus

A maior parte da visibilidade em IA pode vir de fontes que não controlas. Numa experiência recente, 85,8% das menções vieram de sites de terceiros, mostrando que GEO não é só otimizar o teu próprio site.

MG

Mauro Gama

Semantika

Se leste alguma coisa sobre visibilidade em IA no último ano, o conselho foi sempre o mesmo: escreve conteúdo no teu site, estrutura os dados, cria páginas de comparação, e a IA vai citar-te.

Há agora dados que dizem que essa é a parte pequena do trabalho.

Os números

Um profissional documentou duas experiências de visibilidade em IA e publicou os resultados a 14 de setembro de 2026. A segunda é a mais útil, porque partiu do zero e durou 30 dias.

Resultado ao fim de 30 dias: 298 aparições, a partir de uma base de zero.

A distribuição por origem é que é o achado:

  • 85,8% das menções vieram de listicles e conteúdo em sites de terceiros.
  • 14,0% vieram de conteúdo publicado no site próprio.
  • 0,2% vieram de PR.

E a distribuição por motor mostra outra coisa que contraria o hábito:

  • Gemini: 104 aparições
  • Google AI Mode: 95
  • Claude: 59
  • ChatGPT: 32
  • Grok: 4
  • Perplexity: 4

Três fontes sozinhas geraram 78% das menções. E a primeira citação demorou até 18 dias a aparecer, com o intervalo a ir de 1 a 18 dias conforme a colocação. 

O autor resume assim a conclusão: as fontes que te mencionam podem importar mais do que o conteúdo que controlas.

Porque é que isto contraria o que andas a fazer

Repara na assimetria. Quase todo o orçamento de GEO que vejo gasto em Portugal vai para o site próprio: reescrever páginas, acrescentar FAQ, meter dados estruturados, criar uma página de comparação.

Isso é os 14%.

Os 85,8% estão em sítios que não controlas: artigos de terceiros que listam as melhores opções da tua categoria, diretórios, comparações feitas por outros, comunidades onde as pessoas perguntam e respondem.

Não quer dizer que o trabalho no site próprio seja inútil. O próprio autor se corrige entre as duas experiências e conclui que a página própria é fundação e não motor. Sem ela, quando a IA vai verificar quem tu és, não encontra nada coerente. Com ela e só com ela, ninguém te menciona.

A fundação é tua. O motor é dos outros.

E o ChatGPT em quarto lugar?

Repara na ordem dos motores, porque contraria o instinto de toda a gente. Nesta experiência o Gemini e o Google AI Mode juntos valeram 199 das 298 aparições, e o ChatGPT ficou-se por 32.

Não leias isto como uma regra universal, porque é uma experiência num setor. Lê como aviso: se só medes o ChatGPT, provavelmente estás a medir o sítio onde menos aparecerias. A distribuição por motor varia muito por categoria, e a única maneira de saber a tua é medir todos.

O que fazer, por ordem de retorno

1. Descobre que páginas de terceiros a IA já usa para responder à tua categoria. Faz as perguntas comerciais do teu setor a três motores e aponta as fontes que eles citam. Vais ter uma lista de 10 a 20 URLs. Essa lista é o teu mapa e vale mais do que qualquer auditoria ao teu próprio site.

2. Verifica se estás nessas páginas. Na maioria dos casos não estás. É aí que está a diferença entre a tua visibilidade e a do concorrente que aparece sempre.

3. Ataca as três ou quatro que concentram o volume. Se três fontes valem 78%, não precisas de estar em 20 sítios. Precisas de estar nos certos.

4. Contacta quem as escreve. Muitas destas listas estão desatualizadas há meses e quem as mantém costuma estar disponível para acrescentar uma opção relevante. Não é link building, é pedir para ser considerado numa comparação, com argumentos.

5. Mantém a fundação em ordem. Página própria clara sobre o que fazes, para quem, em que mercado. É o que a IA verifica depois de te encontrar noutro sítio.

6. Conta com 18 dias. A primeira citação não aparece na semana a seguir. Se prometeste resultados ao cliente em 15 dias, prometeste mal.

A parte incómoda, para agências

Isto muda o que se vende.

Se vendes GEO como uma auditoria ao site do cliente mais um conjunto de recomendações técnicas, estás a vender os 14%. É trabalho real e necessário, mas não é o que move o número.

O trabalho que move o número parece-se mais com relações públicas e com gestão de presença em sítios de terceiros do que com SEO técnico. É mais lento, é mais difícil de sistematizar, e é muito mais difícil de faturar à hora.

É também, precisamente por isso, o sítio onde há vantagem competitiva para quem o fizer a sério.

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