90 dias de GEO numa PME portuguesa: o que mudou
Acompanhámos uma PME de software de gestão durante 90 dias, do primeiro relatório ao terceiro mês. Sem case study floreado, os números reais, incluindo o que não funcionou.
Ler maisCorremos 200 prompts típicos em 12 categorias do mercado português. Mais de 60% das recomendações vêm de marcas estrangeiras mesmo quando o utilizador escreve "em Portugal" na pergunta.
Mauro Gama
Semantika
Pegámos em 200 prompts que cobrem decisões de compra reais. Coisas que utilizadores portugueses escrevem ao ChatGPT todos os dias:
Cobrimos 12 categorias: fintech, B2B SaaS, e-commerce, telecomunicações, saúde, ensino, energia, transportes, retalho, indústria, hospitalidade e serviços profissionais.
Cada prompt foi corrido 5 vezes em cada um de 5 motores: ChatGPT (GPT-5), Claude Sonnet, Gemini Pro, Perplexity Sonar e Google AI Overviews. Total: 5 000 respostas analisadas.
Para cada resposta classificámos:
De 5 000 respostas, apenas 40% mencionaram alguma marca portuguesa. Em 60% dos casos, a IA preferiu recomendar marcas estrangeiras mesmo quando o utilizador especificou "em Portugal".
E pior: dessas 40% com marcas portuguesas, só 12% colocaram uma marca PT em #1. Nas restantes 28% a marca PT aparecia em #3, #4 ou no fundo de uma lista longa, depois de 2-3 concorrentes internacionais.
Algumas categorias têm marcas PT a dominar. Outras nem aparecem.
Bem representadas:
Mal representadas:
Os modelos de IA aprendem com a internet em inglês. A maioria dos artigos, reviews e comparativos sobre soluções de software, fintech ou saúde digital estão em EN. Mesmo quando uma marca PT é boa, se não há cobertura editorial em fontes que os modelos consultam, simplesmente não existe para a IA.
E o motivo é estrutural, não circunstancial:
Há três alavancas que vimos funcionar em ordem de impacto:
Não é só o teu blog. É também:
Criar conteúdo que explicitamente compara a tua marca com as alternativas internacionais em português e inglês. As IAs procuram este tipo de comparativos quando alguém pergunta "vs" ou "alternativa a".
Pode parecer técnico, mas é simples: marcar a tua empresa com Organization schema em todas as páginas, com país, idioma e categoria explícitos. Os crawlers que alimentam os modelos preferem fontes com dados estruturados.
Aqui está o ponto interessante: o gap é tão grande que é uma oportunidade enorme.
Em mercados saturados, ganhar posição nas IAs é uma luta de margens. Em Portugal, em 2026, ainda é território aberto. As marcas que começarem a trabalhar GEO sistematicamente este ano vão ter uma vantagem que será muito difícil de recuperar.
Não é hype. É só matemática de quem chega primeiro.
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